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sábado, 4 de julho de 2015

Sou eu.

Para alguém que é feita de números e muito pouca ciência, a vulnerabilidade não assenta bem. Essa sou eu. Para alguém que tomou decisões para ser livre, para viver, para explorar, pelo prazer de sorrir e fazer sorrir, o comodismo de no limite do vão da porta optar por ficar é extenuante. Essa sou eu. Para alguém que é sempre mais feliz rodeada de gente, tentar convencer-se de que não faz assim tão mal ficar mais uma noite sozinha, é destrutivo. Essa sou eu. Para alguém para nunca quis realmente saber deles para nada, nem se achava tão pouco capaz de os ter, pedir, quando em vez, antes de dormir que a vida dê de uma vez por todas um jeito, é - tem sido - doloroso.

- Estás sozinha?
- Não. Estou bem. - disse-lhe, mas gritando.

Essa, agora, sou eu.
C.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

é um cansaço que ninguém vê. não tem como. apenas sinto.
as expectativas são altas para quem sempre teve um caminho.até ao dia em que o terminas, pensas tu, e perguntas o que afinal vais fazer amanhã.não sabes.procuras...e continuas sem saber. simples.pela primeira vez na vida não depende só ti.e juras vezes sem conta que, numa próxima, deixarás o mínimo fugir do teu controlo.porque até quando corre mal, é bem mais fácil quando depende só de ti.em desespero prometesse tanta coisa.
ora assim...cansa.um cansaço continuado, mesquinho, que assalta em sobressalto.e tu foges.hoje és optimista.amanhã generalista.depois de amanhã outra desculpa qualquer.até que não te podes esconder.
triste.é triste.e cansa.
não és tu, nem tão pouco alguém que queres ser.e imploras liberdade e um pouco menos de preocupação.o telefone não toca.o email continua vazio.o dia 15 que nunca mais chega.a esperança por um fio.
eu já não peço mais do que trabalho e paz familiar.e acreditem, podia pedir muito mais!
cansa.
C.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Foto: 'Encontrada por aí'

Ainda nos visitamos em segredo.
C.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Nunca ninguém pensa que é o último dia.

Quando olhar para a lareira vou-me lembrar de todas as vezes que esperavas ansiosamente que fosse acesa para te sentares frente a ela, como que a encarar. Das vezes que entravas em conflito com o tapete para posicioná-lo da melhor forma e te deitares. E também de quando 'batias' à porta até que te a abrissem. Quando ouvir fogo-de-artifício provavelmente irei preparar-me, por momentos, para mais uma vez te procurar debaixo de uma cama qualquer, mesmo tu sabendo que era território restrito. Na chegada a casa já ninguém irá saltar mal abra a porta do carro. Enquanto leio mais um livro já ninguém me toca insistentemente para que lhe faça algumas festas, ou na hora das refeições para que lhe dê algum ‘petisco’. A tua última ‘cabeleireira’ foi eu, e portas-te tão bem :) Eras leal e mimalho. Tinhas a mania que eras grande mas até de um rato tinhas medo, no entanto, nunca o deixavas mostrar. E a tua desobediência custou-te a vida. Doggie.

C.

sábado, 15 de outubro de 2011

Desafios cumprem-se!

Eu cumpri assim:

"Foste cruel. Não sei se por maldade ou defesa, mas foste cruel. Antes de te dizer o quanto, vou recuar mais no tempo…
Eu amava-te. Hoje pergunto-me apenas se era como um todo. Talvez não, talvez só amasse uma parte enquanto desejava e acreditava que a outra iria mudar. E vivia assim…feliz e enganada. Não era justo, admito, desejar que fosses diferente mas quando a troca passava por te abandonar, perdia a razão e adiava os impossíveis. Mais um dia, mais uma noite. No fundo, adiamos os dois. Mas quando te amava era a valer. Ainda brincavas com a minha pulsação e tive diversos apertos no peito só por partires quando sabia que no dia seguinte irias voltar. Quando me tocavas todo aquele arrepio era a pedir que ficasses. Quando te abraçava era a tentar convencer-te de que aquele lugar era o ideal. Os teus beijos eram sempre melhores do que qualquer outro sem ter que os experimentar e quando me tomavas como tua o encaixe era perfeito. Se tivesse que escolher um momento para ter saudades, escolheria todos aqueles em que me fazias rir. Quando eu me irritava tu sabias analisar a gravidade da situação, brincar com o assunto e desfazer assim qualquer atrito. Tinhas razão, sempre soubeste cuidar da minha TPM.
Erraste no dia em que pensaste que isso bastava. Em que paraste de me surpreender, em que davas presentes só porque ficava bem e as datas assim o exigiam. Erraste quando exigiste algo que não podias dar. Eu, que deixara de ser a tua menina há mais tempo do que imaginavas, deitei tudo ao ar quando a estabilidade acabou e me senti infeliz. Pergunto-me se sabias o quanto nunca fui adepta dessas duas situações.
Foste então cruel. Pior, foste cobarde. Deixaste vir recados por quem não devia, deixaste pessoas intrometerem-se só porque sim. Tornaste-te em alguém que jamais quereria ao meu lado, acreditaste em mentiras condenáveis e desde então fica apenas por perdoar, as partes de mim que, ao contrário do que dizias, não soubeste ou quisesses conhecer. Porque só não me conhecendo é que te podias achar com razão.
Nunca ninguém entende um fim, e eu nunca te pedi tanto. Virei costas como nunca pensaste que eu fosse capaz. Não pensei em nós durante meses como auto-defesa mas sentir que fui a mulher da tua vida enche-me o ego. Hoje, se é estranho pensar que tens outra vida, não é por amor, mas porque ficaram tantas coisas por dizer que o sentimento de mágoa que já deveria ter partido acha que a vingança mais doce e fácil é perceberes como fui tanto e como perdeste em troca de tão pouco. Uns chamar-lhe-iam de prioridades, eu chamo de fracasso e imaturidade sentimental."
C.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Foto: 'Encontrada por aí'

Escrevo-te à noite por ser quando me assaltas os sonhos. A ideia de que tudo já dorme faz-me falar-te sem restrições. Fazes-me falta idiota, e eu não tenho por hábito esperar por alguém. Apressa-te a cruzar a minha rua ou amuarei numa esquina qualquer. Não me quererás perdida por aí, pois não? Então, apressa-te! Traz contigo o coração cheio, as mãos vazias e uma vontade súbita qualquer que me faça igualar de forma insana o passado a tempo perdido. Hoje quero(-te) assim. Vamos “desromantizar” a saudade, o amor fica para depois. Sem demora, vem cruzar a minha rua que o passeio foi feito para dois.

C.

domingo, 26 de junho de 2011

Fingindo que ninguém lê!

Foto: 'Encontrada por aí'

   Inconformada, é como por vezes me sinto. Desejo tanto a mudança que por vezes acho que é defeito. Daqueles bem grandes e que ninguém entende. É assim que me sinto.
  Também tenho medo e esqueço-me que os novos inícios levam o seu tempo a acontecer, embora haja momentos em que preferia que fossem instantâneos, sem tempo para reflectir sobre o que acabou.
  Quero mudar a minha vida e não sei como. Preciso de conhecer gente, de estar rodeada de pessoas, de não estar sozinha mesmo quando me apetece. Preciso de trabalho (agora que a licenciatura acabou), de levantar bem cedo e odiar o despertador, preciso de uma oportunidade.
   F*****! Pára de medir as palavras. Preciso de mais, sim de mais. Sentir que faço falta, que significo alguma coisa, quem nunca sentiu necessidade disso que atire a primeira pedra (leva é com o dobro logo a seguir. Não gosto de gente cínica). Preciso de ser arrogante, mal disposta, incompreendida, exagerada e face a isso tentarem perceber o ridículo da “depressão” em vez de se conformarem e virarem costas (eu juro que no fim até pedia desculpa). Já nem falo do choro com gosto a desabafo, que desse trato tão bem sozinha. Bastava uma conversa onde eu não precisasse de falar quase nada. Bastava alguém que a conseguisse concretizar.
   Não é bonito e possivelmente pouco sonoro, mas às vezes são precisos estes 5 minutos.

C.